(Dudu Costa)
É tamanha a dor da folha amarela
Como é morto o grão de si prisioneiro
Encarcerado, o fogo é o cativeiro
Vento que faz do o ar a própria cela
Ensimesmada a luz então revela
O lume farto de seu candeeiro
A previsão do sábio cancioneiro
Pois sobre o amor já não se põe cancela
Também não pode sob essa chancela,
Assinatura, manso olhar flecheiro,
Sonhar o amor com tantas primaveras
Que o seu desejo errante faz procela
Percorre nuvem, jaz em aguaceiro
Querer em um segundo tantas eras.
terça-feira, 20 de outubro de 2009
terça-feira, 14 de julho de 2009
Água e espelho
(Dudu Costa)
Meu amor está ferido
Feneceu na tempestade
Foi um golpe desferido
Da paixão contra a saudade
Coração no precipício
No limite de lançar-se
Ter-se de volta ao início
Como a dor não começasse
Meu amor está fendido
Já não sabe o que é seu
Conhecesse o teu princípio
O que um beijo prometeu
Não seria toda tarde
A ilusão do céu vermelho
Mas a flor que se reparte e
Despetála o seu segredo.
Meu amor está ferido
Feneceu na tempestade
Foi um golpe desferido
Da paixão contra a saudade
Coração no precipício
No limite de lançar-se
Ter-se de volta ao início
Como a dor não começasse
Meu amor está fendido
Já não sabe o que é seu
Conhecesse o teu princípio
O que um beijo prometeu
Não seria toda tarde
A ilusão do céu vermelho
Mas a flor que se reparte e
Despetála o seu segredo.
terça-feira, 14 de abril de 2009
Um soneto erótico
(Dudu Costa)
Teu seio em minha boca é legítimo
convite. Apelo ao tesão mais profano
Que esse meu peito, de tão leviano,
Por todo o sempre quer ter-se em teu íntimo.
Quer afogar-se em tuas sendas, caminhos
Beber de tuas róseas gotas a alvura
Entre as pernas penetrar na loucura
desses rios que correm teus domínios.
De ti nascem meus desejos profundos,
Provém de tuas entranhas meu delírio
São bocas, beijos, mãos, tudo... E fecundo
a pele posta em mim toda desnuda.
Navego pelos mares e suspiro
em teu ouvido... Versos de Neruda
Teu seio em minha boca é legítimo
convite. Apelo ao tesão mais profano
Que esse meu peito, de tão leviano,
Por todo o sempre quer ter-se em teu íntimo.
Quer afogar-se em tuas sendas, caminhos
Beber de tuas róseas gotas a alvura
Entre as pernas penetrar na loucura
desses rios que correm teus domínios.
De ti nascem meus desejos profundos,
Provém de tuas entranhas meu delírio
São bocas, beijos, mãos, tudo... E fecundo
a pele posta em mim toda desnuda.
Navego pelos mares e suspiro
em teu ouvido... Versos de Neruda
domingo, 8 de março de 2009
Quando voltares para a Alemanha
(Dudu Costa)
Quando voltares para a Alemanha -
meu amor -
eu serei a melodia infiltrada em teus cabelos
e a memória morena
marcada na íris azul.
Tu te lembrarás da minha pele
do meu sabor de manga ubá
do meu tempero samba, obá!
E eu me lembrarei da direção
precisa de tuas palavras francas
do teu dorso branco
da tua boca viva e vermelha
a velar-me as noites duras.
Quando voltares para a Alemanha
não te esqueça dos meus olhos
de um castanho tão noturno
quanto a noite turva
no céu de Düsseldorf...
Quando voltares para a Alemanha -
meu amor -
eu serei a melodia infiltrada em teus cabelos
e a memória morena
marcada na íris azul.
Tu te lembrarás da minha pele
do meu sabor de manga ubá
do meu tempero samba, obá!
E eu me lembrarei da direção
precisa de tuas palavras francas
do teu dorso branco
da tua boca viva e vermelha
a velar-me as noites duras.
Quando voltares para a Alemanha
não te esqueça dos meus olhos
de um castanho tão noturno
quanto a noite turva
no céu de Düsseldorf...
terça-feira, 27 de janeiro de 2009
Amor de mar
(Dudu Costa)
Moça com olhos de mar
Braços de amor e maré
Volto das águas pra cá
Santo meu Deus dai-me fé
Por os pés naquela aldeia
Minhas mãos naquele mangue
Pra correr em minhas veias
Todo o fogo do seu sangue
E nos grãos de areia e nela
O meu corpo marinheiro
Um barco tocado a vela
Coração de jangadeiro
Caravela e queimadura
Mar de espuma, bramador
Água bate até que fura
Alma de velejador
Atravessa a noite inteira
Feito o nácar reluzente
Nessa colônia pesqueira
Nosso amor de fibra e dente
Eu de anzol, rede e arrastão
Quando o sol cedinho sai
Moça ancora o coração
Bem no chão daquele cais
A pedir pra Iemanjá
Que não seja agora a dor
Pois em terra e mar não há
Outro igual seu pescador.
Moça com olhos de mar
Braços de amor e maré
Volto das águas pra cá
Santo meu Deus dai-me fé
Por os pés naquela aldeia
Minhas mãos naquele mangue
Pra correr em minhas veias
Todo o fogo do seu sangue
E nos grãos de areia e nela
O meu corpo marinheiro
Um barco tocado a vela
Coração de jangadeiro
Caravela e queimadura
Mar de espuma, bramador
Água bate até que fura
Alma de velejador
Atravessa a noite inteira
Feito o nácar reluzente
Nessa colônia pesqueira
Nosso amor de fibra e dente
Eu de anzol, rede e arrastão
Quando o sol cedinho sai
Moça ancora o coração
Bem no chão daquele cais
A pedir pra Iemanjá
Que não seja agora a dor
Pois em terra e mar não há
Outro igual seu pescador.
quinta-feira, 13 de novembro de 2008
O poeta
(Dudu Costa)
O poeta despiu-se das palavras
quis descansar
não sonhou com estrelas
não amou nem morreu.
O poeta simplesmente dormiu
um sono tão vagabundo
numa cama tão vaga, tão imensa
que nem o tempo foi tormenta.
Os segundos eram grãos
inúteis, desarmados num deserto feito de tempo
num tempo pleno de deserto.
O poeta parou!
Parou de poetar
de ser papel, pena, palavra...
O poeta passou...
Passou a amar o concreto
a matéria firme e dura do objeto tangível
explicável.
Poeta mais pateta, perneta, caduco
Um puto esse poeta.
O poeta despiu-se da palavra
A palavra despiu-se do poeta.
O poeta despiu-se das palavras
quis descansar
não sonhou com estrelas
não amou nem morreu.
O poeta simplesmente dormiu
um sono tão vagabundo
numa cama tão vaga, tão imensa
que nem o tempo foi tormenta.
Os segundos eram grãos
inúteis, desarmados num deserto feito de tempo
num tempo pleno de deserto.
O poeta parou!
Parou de poetar
de ser papel, pena, palavra...
O poeta passou...
Passou a amar o concreto
a matéria firme e dura do objeto tangível
explicável.
Poeta mais pateta, perneta, caduco
Um puto esse poeta.
O poeta despiu-se da palavra
A palavra despiu-se do poeta.
sexta-feira, 10 de outubro de 2008
Minha luta
(Dudu Costa)
Minha luta não tem nome
Não tem projeto, não tem futuro
Minha luta não tem herói nem heroína
É cega e surda e muda
Não fala
Minha luta não tem verbo, substantivo, adjetivo ou pronome
Não tem nome!
Não tem nexo!
Não tem sexo viril, varonil, nacional
Minha luta não tem perspectiva, nem Deus, nem Shiva
Não tem crédito, nem cheque
Não possui cartão.
Ah... minha luta não luta, está de luto
Perdeu referência, envelheceu
Minha luta se afoga no século, no vácuo, morre no ventre
Se esfola, não esfola
Se farta, se castra e cansa
Minha luta vaga, vigia e não vê
Está de porre, não corre e pausa
Pensa... somente...
Minha luta dói
Minha luta pena e fecha as janelas
Quer o silêncio das horas taciturnas
Quer ver navios, vagar, volver...
Quer a vaga morena das noites angélicas.
Minha luta é no céu, é na terra
Nas artérias
Nas veias
Minha luta...
Ah... minha luta.
Minha luta não tem nome
Não tem projeto, não tem futuro
Minha luta não tem herói nem heroína
É cega e surda e muda
Não fala
Minha luta não tem verbo, substantivo, adjetivo ou pronome
Não tem nome!
Não tem nexo!
Não tem sexo viril, varonil, nacional
Minha luta não tem perspectiva, nem Deus, nem Shiva
Não tem crédito, nem cheque
Não possui cartão.
Ah... minha luta não luta, está de luto
Perdeu referência, envelheceu
Minha luta se afoga no século, no vácuo, morre no ventre
Se esfola, não esfola
Se farta, se castra e cansa
Minha luta vaga, vigia e não vê
Está de porre, não corre e pausa
Pensa... somente...
Minha luta dói
Minha luta pena e fecha as janelas
Quer o silêncio das horas taciturnas
Quer ver navios, vagar, volver...
Quer a vaga morena das noites angélicas.
Minha luta é no céu, é na terra
Nas artérias
Nas veias
Minha luta...
Ah... minha luta.
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